Motivações por trás do Revert com Guilherme Macedo

Para falar os fatores que levaram o surgimento do Revert é preciso contar um pouco da história de um de seus co-criadores, Guilherme Macedo:

“Atingir a alma através do corpo!” – Nuno Cobra

Em seu livro, “A semente da vitória”, Nuno Cobra, coach de Ayrton Senna, diz que o esporte é um caminho para chegar à sua alma. Para explicar o que entendo disso vou relatar uma experiência pessoal: me lembro da primeira vez que consegui detectar uma auto-sabotagem durante um treino. Foi com meu amigo de infância e irmão de consideração, Gabriel Pimentel, no parque da cidade. Um treino na caixa de areia, com Kettlebell, muito intenso. Minha mente falava: “Chega, já fez o suficiente, pode descansar”. Como de costume, parei. Mas, essa parada foi diferente, não fiquei satisfeito, comecei a me questionar sobre o que eu havia me proposto a fazer antes de começar o treino, sobre o costume de parar antes de acabar. Em meio a várias interrogações, surgiu uma exclamação e então recomecei o treino e fui até o final pela primeira vez na vida. Uau! Eu queria contar para todo mundo. Foi transformador. Comecei a fazer os mesmos questionamentos para as outras áreas da vida. E não é que deu certo? Entendo que era mais ou menos isso que Nuno Cobra queria dizer.

Apesar de ter passado por vários esportes durante a infância e adolescência, nunca me aprofundei em nenhum deles, nem sequer me apaixonei pela atividade física. Preferia estar na balada, acordando tarde e fazendo coisas que, hoje, não acredito melhorarem minha condição de saúde. Até encontrar a escalada, em 2009. Diferente dos outros esportes que passei, não durou apenas 1 mês de experiência, nem 3, nem 6, ainda em 2016, 7 anos depois, continuo praticando. Percebi que estava difícil conciliar o esporte com meus velhos hábitos, percebi que deveria fazer uma escolha se quisesse ir além.

Mudar hábitos tão enraizados, leva tempo. É preciso respeitar o processo, é preciso acreditar, acreditar muitas vezes, sozinho. Algumas pessoas mais próximas ainda não se convenceram. E é exatamente aqui que está a mágica: acreditar sozinho. Entenda que este sozinho não significa se afastar de tudo e de todos, mas acreditar na sua própria causa. É simplesmente querer isso para você. No esporte, você pode transferir um monte de aprendizados para as outras áreas da vida: disciplina, autoconfiança, respeitar processos, querer melhorar, querer entender, dar o primeiro passo, cair, levantar, persistir, aceitar, se conhecer e muitos outros.

Isso, somado à sede pelo conhecimento, me fez ser autodidata em Educação Física, por alguns anos, enquanto tocava meu curso de Geofísica na UnB. Foi um longo processo até eu aceitar que não queria praticamente nada com a Geofísica, tão longo que, quando aceitei, já não valia a pena abandonar. Por isso, estou cursando, neste momento, o último semestre do curso de Geofísica e, junto a isso, cursando Educação Física, porque é o que preciso fazer para poder atingir o maior número de pessoas com o que acredito.

Para mim, ser um bom treinador vai além de pegar atletas e colocá-los em holofotes da elite. Nem todos vão chegar nesse nível, existem muitas variáveis. Claro que um treino bem elaborado pode elevar significativamente o nível de uma pessoa, mas o mais importante é a pessoa. Um bom coach vai transformar aquele atleta na melhor versão possível dele mesmo, mentalmente e fisicamente. E se isso, por consequência, trouxer bons resultados de escalada, melhor ainda.

Recentemente, Raisa Moura, amiga e voluntária nos meus treinos, me deu o melhor feedback que eu poderia receber:

“Foram 3 meses de muita evolução, percebia que eu melhorava progressivamente nos exercícios e, principalmente, na escalada, que era meu maior objetivo.
Tenho diagnosticada uma escoliose, devido a uma diferença de tamanho das minhas pernas, e isso me causa dores nas costas e joelhos. Após iniciar esse treino com o Guilherme, fiquei receosa, pois temia que minhas dores fossem aumentar, já que os treinos exigiam muito. Mas, para minha surpresa e felicidade, as dores passaram, sentia meu corpo com a musculatura mais forte e mais definida. Após completar o primeiro ciclo de 3 meses, parei o treino pois minha rotina de trabalho mudou, e a consequência disso, foi que minhas dores voltaram.”

É isso! Além de ajudar as pessoas a alcançarem metas tangíveis, quero melhorar a vida delas. Pode parecer pretensioso me colocar nessa posição, mas, como coach, posso, quero e vou dar o meu máximo para o atleta: acreditar mais em si mesmo, desfrutar o processo de evolução, entender o que estou fazendo, saber lidar com a frustração, não ter medo de errar, nem de ser o último e tampouco de ser o primeiro. Quero também poder ajudar a melhorar o foco, a concentração e a coordenação. Apesar dessas mudanças começarem no esporte, são altamente transferíveis para a vida. Será um prazer ajudar nesse último aspecto também, como tenho certeza que já fiz com algumas pessoas que depositaram um pouco de sua confiança em mim, nessa, ainda breve, caminhada.

O estado de Fluxo (flow)

O estado de fluxo, ou flow, é um expressão usada para definir um estado do cérebro de ultra-concentração ou um estado de consciência ideal. Recebe este nome pois quando um indivíduo se encontra nele, nada mais importa além da próxima ação.
Decisão, ação, próxima decisão, próxima ação e assim sucessivamente. Fluxo.

Todos nós, em algum momento da vida, já tivemos contato com o fluxo: praticando algum esporte, trabalhando, conversando com alguém interessante mas, na maioria dos casos, sem perceber ou sem saber que se tratava de um estado da mente.

Entre algumas consequências observadas no cérebro durante um flow, destaca-se a hipofrontalidade temporária, que significa uma redução temporária na atividade do córtex pré-frontal que é uma parte do cérebro responsável por coletar dados, solucionar problemas, planejar o futuro, avaliar riscos, suprimir impulsos e tomar decisões morais. Parece contraditório afirmar que essa região fica hipoativa já que o flow é um estado de alto desempenho, mas o neurocientista Arne Dietrich explica melhor:

“O cortex pré-frontal é onde o pensamento acontece, é onde tomamos idéias simples e acrescentamos várias camadas de complexidade. No flow, as decisões são fáceis e automáticas. É o contrário do pensamento.”

Dietrich explica que o cérebro não elimina a complexidade e sim as estruturas que criam complexidade. É uma troca em nome da eficiência: direcionar a energia que seria gasta em funções cognitivas superiores para um estado de atenção e consciência aumentadas.

Outro neurocientista, Charles Limb, em 2008, usando imagens de ressonância magnética funcional para examinar o cérebro de rappers e jazzistas improvisadores, descobriu que o córtex pré-frontal dorsolateral também é desativado durante o flow e esta região é responsável pelo que chamam de monitoramento de si e controle de impulsos. O monitoramento de si é a voz da dúvida e da falta de confiança. Enquanto uma parte do cérebro fica menos ativa, outras estão a todo vapor e é o caso do córtex pré-frontal medial, uma parte do cérebro que controla a auto-expressão criativa, ou seja, possibilita insights criativos. Ou seja, novamente, seu cérebro está trabalhando em prol da tomada rápida e eficiente de decisões.

Dean Potter, escalador famoso por seus feitos sem equipamentos de segurança, relata que quando estava escalando, “apenas seguia a Voz, sem questioná-la”, o que não seria possível se o córtex pré-frontal começasse um processo de autocrítica no meio de sua ascensão ao topo da montanha. Ele apenas se concentrava em sua próxima ação.

No vídeo acima, Dean Potter escala em Flow em Yosemite.

No flow, hormônios como a dopamina e a norepinefrina estão abundantes no organismo. Em termos emocionais, a dopamina gera envolvimento, entusiasmo, criatividade, desejo de investigação e a norepinefrina acelera os batimentos cardíacos, aumenta o tônus muscular, aumenta o ritmo respiratório, desencadeia a liberação de glicose (energia), aumenta a atenção, eficiência neural e controle emocional. É um grande engano acreditar que esses atletas são viciados em adrenalina. A adrenalina está associada ao medo, à possibilidade de fuga, àquele frio na barriga antes de uma competição. Ela antecede o flow pois aumenta o foco devido ao estresse, portanto pode servir de gatilho para o flow.

“Estou muito longe de ser viciado em adrenalina. Não suporto essa sensação. Se estou sentindo adrenalina, isso significa que estou com medo demais. Significa que não fiz meu dever de casa. Significa que está na hora de cair fora do buraco e reavaliar a situação.” Tao Berman, caiaquista (fonte: Super-humanos de Steven Kotler)

Nas últimas décadas, houve um “boom” no que os pesquisadores chamam de ‘máximo desempenho humano’, que é diferente de ‘desempenho ideal’. A diferença é que o desempenho ideal consiste em dar o máximo de si. O máximo desempenho é alcançado nas situações em que você precisa atingir sua melhor performance e qualquer erro pode matá-lo. Esse é um dos principais motivos dos esporte radicais terem recordes ou feitos sendo superados cada vez mais rápido. Pois, aqueles que praticam e se destacam em feitos inacreditáveis possuem incrível capacidade de dominar o flow. O motivo desses atletas estarem constantemente em contato com o flow é simples: flua ou morra!

Encontrar este estado ao escalar pode ser determinante entre conseguir alcançar seu objetivo ou não. Ao escalar uma via esportiva, por exemplo, qualquer pausa para uma auto-avaliação é o suficiente para acabar com as suas chances de realizar a ascensão.

Em atividades de altíssimo risco como escalar uma montanha sem equipamentos de segurança, não há espaço para sair do flow. Já escalando uma via esportiva, uma mente destreinada, pode facilmente sair do flow durante uma simples costurada de 5 segundos.

Algumas práticas simples que podem servir de gatilho para o flow:

  1. Antes de começar sua escalada, faça um exercício mental de visualização de cada movimento da via ou boulder. Parece simples, mas se você fizer, vai ver que precisa de uma boa concentração e um bom esforço mental. E como diz o ditado: “seu corpo só vai aonde sua mente já esteve”.
  2. Fazer uma pausa para respirar antes da execução, esvaziando a cabeça, deixando os pensamentos chegarem e saírem, sem tentar lutar contra eles, apenas fluir.
  3. Procure traçar metas que não estejam muito distantes da sua real capacidade. Seja realista, mas ao mesmo tempo desafie-se dentro das possibilidades. Como mostra a figura abaixo, o estado de fluxo é alcançado quando o desafio e a habilidade exigida para aquela tarefa são relativamente altos.
  4. Quando estiver executando a tarefa, tentar focar o máximo possível apenas no próximo movimento e fazê-lo. Decisão, ação. Encurtar os caminhos da tomada de decisão.
  5. Tente detectar os momentos em que você pode ter perdido o flow, questione-se do motivo e tente evitar essas escapadas em oportunidades seguintes.

O estado de fluxo é um assunto muito interessante e com muitos detalhes, por isso, se se interessou pelo assunto, recomendamos três leituras que vão te fazer delirar no assunto:

  1. Steven Kotler. Super-Humanos: Como atletas radicais redefinem os limites do possível.
  2. Dan Millman. O Caminho do Guerreiro Pacífico.
  3. Csikszentmihaly Mihaly. Flow.

3 Exercícios de Levantamento de Peso para Escaladores

No post anterior, sobre hipertrofia, vimos que o treinamento de força máxima é importante para o desenvolvimento atlético de qualquer atleta. Hoje, citaremos e explicaremos alguns exercícios que consideramos serem os melhores exercícios de levantamento de peso para atletas de escalada e explicaremos o porquê.

Sabendo que uma programação de treino passa por diferentes fases, é importante saber como usar esses exercícios de forma que lhes sejam bem aproveitados. São exercícios simples, que podem ser executados por todos e que tem suas particularidades positivas para a escalada. São eles:

  1. Front Squat (Agachamento Frontal)
  2. Weighted Pull Up (Barra com Peso)
  3. Shoulder Press (Desenvolvimento Frontal)

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Hipertrofia na Escalada: como ficar mais forte sem ficar mais pesado?

Primeiro e mais importante esclarecimento: ficar mais forte implica, necessariamente, em ficar mais pesado? Não! Definitivamente, não! É possível treinar com levantamento de pesos sem ganhar qualquer grama a mais no seu corpo? Sim! Existem inúmeras opções de trabalhos que podem ser feitos com levantamento de peso para alcançar resultados diferentes. Certamente, nenhum escalador quer ou deve estar pesado a ponto de ter seu rendimento prejudicado, mas será que ficar mais forte iria atrapalhar?

Existem basicamente dois tipos de hipertrofia muscular que geram alterações morfológicas: a sarcoplasmática e a miofibrilar. Saber a diferença entre elas pode influenciar diretamente seus resultados.

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O que é o Revert?

O Revert é uma busca incessante de conhecimento sobre a escalada para contribuir com sua evolução. É treinamento eficiente para escaladores!

Não temos pretensão alguma de dizer que estamos inventando algo novo, do zero. REVERT, como o próprio nome sugere, remete a ideia de rever, repensar metodologias e prioridades abordadas nos treinos de escalada, principalmente, para vias esportivas e boulders. Melhoria contínua é o nosso foco!

Um dos pilares do Revert é a pesquisa bibliográfica, onde procuramos trazer para o treinamento da escalada teorias e métodos para desenvolver um escalador mais eficiente, mais bem condicionado, equilibrando volume, força e reduzindo o índice de lesões.

Ao mesmo tempo, não queremos reinventar a roda, por isso, procuramos levantar hipóteses e estamos constantemente realizando experimentos para produzir novos resultados e fazer descobertas relevantes para a prática da escalada.

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